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A mente é o espelho da alma!

*Itamargarethe Corrêa Lima* – Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Há dores que começam muito antes de serem percebidas por quem está ao redor. A depressão tem essa característica silenciosa. Aos poucos, modifica a forma como alguém enxerga a vida, as relações e, principalmente, a si mesmo.

O mundo pode continuar exatamente no mesmo lugar, mas alguma coisa muda profundamente dentro de quem sofre. A mente é o espelho da alma. E talvez uma das faces mais cruéis da doença esteja justamente aí. Quando a percepção é atravessada pela dor, a imagem refletida deixa de corresponder à realidade.

Aquele que sempre foi capaz passa a se considerar insuficiente. Quem construiu uma história de conquistas começa a enxergar apenas os próprios fracassos. O afeto recebido parece menor, as qualidades desaparecem diante dos defeitos, pequenos problemas assumem proporções gigantescas e aquilo que antes representava esperança pode perder completamente o sentido.

Não significa, necessariamente, que a vida tenha se tornado pior. O sofrimento, porém, passou a interferir na maneira de percebê-la. É por isso que frases como “você tem tudo”, “olha quanta gente gosta de você” ou “existem pessoas passando por coisas piores” quase nunca alcançam quem vive um quadro depressivo.

Quem diz isso está olhando a vida pelo lado de fora. Para aquele que sofre, porém, a imagem vem do espelho de dentro, fazendo refletir visões diferentes.

Talvez seja também por isso que tantas pessoas demorem a compreender a própria enfermidade. Continuam trabalhando, cuidando dos filhos, cumprindo compromissos, conversando, sorrindo e desempenhando funções aparentemente normais. Para quem observa, está tudo bem.

Por dentro, entretanto, pode existir uma batalha que ninguém consegue enxergar. A depressão nem sempre destrói primeiro aquilo que o doente possui. Muitas vezes, atinge a capacidade de reconhecer valor no que está ao seu redor, inclusive nela própria.

O futuro parece menor, a culpa cresce, a autoestima diminui e a esperança vai perdendo espaço. A mente começa a repetir pensamentos tão persistentemente que, em determinado momento, eles podem ser confundidos com verdades.

No entanto, nem tudo o que a mente reproduz corresponde à realidade. Quando adoecida, ela pode produzir uma leitura profundamente injusta da própria existência, fazendo alguém acreditar que não é amado, que fracassou ou que nada mudará, diante da incapacidade momentânea de imaginar um amanhã diferente.

Por isso, enfrentar a depressão também significa aprender, pouco a pouco, a questionar aquilo que a dor apresenta como definitivo. E isso não se resolve simplesmente com força de vontade.

Há situações em que são necessários acompanhamento psicológico, avaliação médica, tratamento adequado, apoio familiar e tempo. A espiritualidade também pode representar fonte de conforto, esperança e significado para quem encontra nela amparo. Uma dimensão não precisa excluir a outra.

Talvez preservar a saúde da mente seja, em alguma medida, recuperar a nitidez dessa imagem. Não para construir uma visão artificialmente bonita da vida ou fingir que as dores não existem, e sim para permitir que a pessoa volte a se enxergar sem que o sofrimento distorça tudo aquilo que ela é.

Porque há momentos em que o espelho fica embaçado e a imagem quase desaparece, entretanto quem está diante dele continua ali. Por hoje, ficamos por aqui. Semana que vem tem mais.

Categoria: Notícias

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