Por *Itamargarethe Corrêa Lima* — Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

O país encerrou mais um ciclo eleitoral diante de desafios que não surgiram nas últimas décadas. A desigualdade social, analfabetismo, precariedade do saneamento e dificuldades econômicas possuem raízes históricas. São problemas que atravessaram gerações, governos e regimes políticos, sem encontrar soluções definitivas.
A dimensão dessa herança aparece nos números. Em 1940, apenas 44% da população com 15 anos ou mais sabia ler e escrever. Em 2022, esse percentual chegou a 93%. Apesar dos avanços, milhões de brasileiros ainda enfrentam o analfabetismo, evidenciando uma dívida social acumulada ao longo de décadas.
Essa realidade também se reflete na infraestrutura e na dependência tecnológica. A economia cresceu, a indústria se expandiu e o acesso aos serviços públicos aumentou, entretanto os benefícios desse progresso não alcançaram a população de maneira uniforme. As disparidades regionais continuam impondo obstáculos à construção de uma sociedade mais justa.
Seria incorreto atribuir essas deficiências exclusivamente às administrações recentes, assim como não se pode ignorar a responsabilidade de cada gestão pelas decisões tomadas. O desenvolvimento resulta de escolhas acumuladas, políticas implementadas, oportunidades aproveitadas e reformas sucessivamente adiadas.
Enquanto o debate público se concentra nas disputas pelo poder, necessidades essenciais exigem atenção permanente. Educação de qualidade, saúde, saneamento, ciência, inovação, segurança jurídica e distribuição de renda não podem ficar condicionados às conveniências eleitorais. Precisam integrar um projeto nacional de longo prazo.
A cada eleição, renovam-se lideranças e prioridades, no entanto as necessidades da população permanecem. Existem conquistas que merecem reconhecimento, iniciativas que precisam ser aperfeiçoadas e obstáculos históricos que exigem respostas consistentes. A alternância democrática não deve significar o abandono de políticas fundamentais ao progresso coletivo.
A grandeza de uma nação não se mede apenas por suas riquezas ou indicadores econômicos, contudo pela capacidade de transformar crescimento em dignidade, oportunidades e qualidade de vida. O desafio, portanto, não está em encontrar um único responsável pelo passado, mas em compreender que nenhuma administração, isoladamente, conseguirá corrigir séculos de desigualdade.
O futuro exige planejamento, continuidade institucional e responsabilidade compartilhada. Afinal, quantas gerações ainda precisarão esperar para que tantas riquezas e potencialidades se transformem em bem-estar para todos? Por hoje, ficamos por aqui. Até breve!











