Por *Itamargarethe Corrêa Lima* – Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Hoje, em mais um dos nossos encontros, propõe-se uma reflexão essencial sobre a forma como a felicidade é compreendida, buscada e situada na vida cotidiana. A ideia central é examinar por que, em muitos momentos, esse sentimento é projetado para além do presente, como se o agora fosse sempre insuficiente para sustentar uma experiência legítima de plenitude.
A felicidade está onde a colocamos, mas nem sempre coincide com o lugar em que se vive. Essa constatação revela um dos dilemas mais recorrentes da experiência humana: a tendência de deslocar a sensação de bem-estar para fora do tempo presente, tratando o agora como um espaço provisório e incompleto.
Antes de qualquer definição externa, trata-se de um estado interior. Não se confunde com euforia permanente nem pode ser reduzido a um reflexo automático das circunstâncias que cercam o indivíduo.
Esse estado se constrói a partir da relação que cada pessoa estabelece consigo mesma, com suas escolhas, valores e limites. Por essa razão, não pode ser transferido a terceiros nem atribuído à responsabilidade de outras pessoas, sob pena de se converter em dependência emocional e frustração contínua.
Quando essa condição interna é colocada nas mãos alheias, instala-se o risco de viver refém de expectativas externas.
O mesmo ocorre quando a realização pessoal é condicionada exclusivamente a conquistas materiais, status ou bens, tornando-se instável e vulnerável, pois passa a depender de fatores que, por natureza, são transitórios.
Pessoas, situações e circunstâncias mudam, e nenhuma delas consegue sustentar, de forma duradoura, aquilo que deveria ser edificado de dentro para fora.
Com frequência, projeta-se o contentamento para o futuro, vinculando-o a uma conquista profissional, à estabilidade financeira ou ao reconhecimento social.
Em outros momentos, esse sentimento é deslocado para o passado, associado a uma fase idealizada que já não existe. Em ambas as hipóteses, o presente perde significado e passa a ser vivido como um tempo de espera, no qual a vida parece sempre começar depois.
Esse deslocamento contínuo produz insatisfação e frustração. Mesmo diante de avanços concretos, a sensação de plenitude permanece distante, pois o critério para alcançá-la está sempre condicionado a algo que ainda falta.
Vive-se orientado pela ausência, e não pela presença, alimentando uma percepção constante de incompletude, ainda que o percurso seja marcado por esforço e progresso.
Por hoje, ficamos por aqui, mas na próxima semana aprofundaremos a reflexão sobre a importância do presente como espaço fundamental de existência, consciência e responsabilidade na construção do bem-estar. Até breve!!