
O desfile da Turma de Mangueira, terceira escola a se apresentar na sexta-feira (19) na Passarela do Samba Chico Coimbra, foi iniciado com mais de uma hora e meia de atraso em razão de falhas técnicas no sistema de iluminação da avenida. A escola só adentrou oficialmente a pista após as 3h da manhã.
Com o enredo “Mundinha Araújo: Farol da Resistência”, a agremiação levou para a avenida a trajetória da ativista cultural maranhense, transformando sua história de militância e contribuição à cultura popular em narrativa carnavalesca.
Diante da situação, o carnavalesco e presidente da Liesma, Itamilson Lima, pediu desculpas ao público e afirmou que a agremiação não pisaria na avenida enquanto as condições técnicas não estivessem plenamente restabelecidas. “Isso aqui tem a ver com respeito à escola e à comunidade. Não podemos iniciar sem a estrutura adequada”, declarou.
O episódio reacendeu críticas quanto à estrutura disponibilizada ao Carnaval de passarela. Integrantes do segmento apontam que, embora o município invista valores expressivos na temporada pré-carnavalesca, a estrutura técnica destinada às escolas de samba na avenida não acompanha o mesmo padrão.
O prefeito Eduardo Braide (PSD) tem priorizado grandes eventos na programação oficial do Carnaval, mas representantes das agremiações avaliam que o desfile de passarela, responsável por mobilizar costureiras, artesãos, músicos, coreógrafos e diversos fazedores de cultura ao longo de todo o ano, ainda carece de maior atenção estrutural.
Para os organizadores, o Carnaval de passarela é um dos nichos mais tradicionais da cultura popular ludovicense e demanda planejamento técnico compatível com sua dimensão artística e histórica. A falha que atrasou a entrada da Mangueira, segundo membros da escola, evidencia a necessidade de investimentos mais consistentes na infraestrutura da avenida.
Apesar do contratempo, o desfile, assinado pelos carnavalescos Itamilson Lima e pelo carioca Cristiano Bara, ocorreu de forma tecnicamente organizada após a normalização do sistema, mantendo a coerência estética do enredo e a força simbólica da homenagem.