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SEGUIR JESUS NÃO É FÁCIL!

Por *Itamargarethe Corrêa Lima*, jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

A homilia deste terceiro domingo (15) da Quaresma trouxe uma reflexão profunda sobre o verdadeiro significado de seguir Jesus Cristo. A pregação partiu do relato evangélico do homem que era cego de nascença e voltou a enxergar após o encontro.

O milagre, que deveria provocar admiração e reconhecimento, revela uma realidade mais complexa. Quando alguém passa a enxergar a verdade, frequentemente encontra resistência daqueles que preferem permanecer na escuridão.

Ainda segundo o que foi narrado no Evangelho, depois de curado, o homem foi interrogado e pressionado pelas autoridades religiosas. Mesmo diante de desconfiança e acusações, não recuou.

Afirma com simplicidade aquilo que viveu. Antes era cego e passou a enxergar após a intercessão do Messias.

A tensão chega a tal ponto que até seus próprios pais evitam assumir uma posição clara por medo das consequências sociais e religiosas que poderiam enfrentar.

A reflexão apresentada nos aproxima da realidade atual. Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo materialismo, individualismo e pela busca constante por interesses pessoais. Em muitos ambientes, tornou-se difícil falar de fé, valores espirituais e de compromisso com os ensinamentos bíblicos.

Não são poucos os que preferem silenciar ou relativizar aquilo em que acreditam para evitar críticas, isolamento ou constrangimento social.

O contraste é evidente. O homem que recuperou a visão teve coragem de sustentar aquilo que experimentou, mesmo diante de pressão e questionamentos. Nos dias de hoje, porém, muitos evitam assumir publicamente a própria fé ou viver de forma coerente com os ensinamentos cristãos.

A lógica dominante valoriza o sucesso individual, a autopromoção e a conquista material, enquanto a dimensão espiritual passa a ser tratada como algo secundário.

A homilia também chama atenção para outro fenômeno presente na realidade cotidiana. Além das dificuldades próprias do discipulado cristão, há aqueles que se aproximam da religião movidos por interesses que pouco têm a ver com o Evangelho.

Em determinados contextos, a fé acaba sendo utilizada como instrumento de poder, influência ou até de benefício pessoal. Quando isso ocorre, deixa de ser caminho de conversão e passa a ser manipulada como forma de dominação espiritual, explorando muitas vezes a boa-fé das pessoas.

Por isso a narrativa do cego que passou a enxergar permanece tão atual. Cristo continua oferecendo luz, mas enxergar exige coragem.

Reconhecer a verdade implica rever caminhos, admitir limites e enfrentar, muitas vezes, a incompreensão de uma sociedade que prefere manter-se confortável em suas próprias “certezas”.

Seguir Jesus não é fácil. Os ensinamentos religiosos exigem coerência de vida e fidelidade aos valores do Evangelho, mesmo quando entram em choque com a mentalidade dominante. Assim como o homem que voltou a enxergar, o cristão é chamado a testemunhar aquilo que encontrou, ainda que o mundo ao redor nem sempre esteja disposto a ver.

Por hoje ficamos por aqui. Até o próximo encontro.

Categoria: Notícias

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